segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Bispo permitiu que jovens comungassem sem estarem devidamente preparados: No DNJ de 2025 na Diocese de Sobral, no Ceará

 

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Por Douglas Lima


No DNJ de 2025 na Diocese de Sobral, no Ceará, que reuniu cerca de 3 mil jovens, o sr bispo Dom Vasconselos, permitiu que jovens comungassem sem estarem devidamente preparados, isto é, sem terem confessado, mas com a intenção de confessarem depois.
Dom Vasconcelos diz: "
Quem não se confessou agora, mas veio com esse propósito, poderá comungar hoje desde que tenha o firme propósito de conversar-se o mais breve possível. Como é bom quando a gente se depara com a misericórdia de Deus."
O bispo Dom Vasconcelos falou para 3 mil jovens que podiam fazer comunhão sacrílega. Que é o pior de todos os pecados que alguém pode cometer. Ou seja, pessoas que não confessaram, que estão em pecado mortal e que no seu coração tem o desejo de se confessar mais brevemente, poderão comungar. O bispo deu autorização para que essas pessoas em pecado mortal em estado de separação com Deus, possam comungar durante a Santa Missa.




Vamos entender melhor:


A Dignidade do Encontro com Cristo na Eucaristia: Misericórdia e Verdade
O coração da nossa fé católica palpita no mistério inefável da Santíssima Eucaristia. É nesse pão transubstanciado e nesse vinho tornado Sangue que encontramos o próprio Cristo vivo, a fonte e o ápice de toda a vida cristã. A Eucaristia é o nosso Sol, a nossa força, o nosso tesouro. É o Banquete Nupcial no qual a alma, desposada por Cristo, é convidada a se unir ao Esposo Divino. Dada a sublimidade deste Sacramento, somos chamados a uma profunda e constante reflexão sobre a dignidade com que nos aproximamos da Mesa do Senhor.


O Catecismo e o Chamado à Graça Santificante
A Igreja, Mãe e Mestra, guiada pelo Espírito Santo, sempre zelou pela integridade dos Sacramentos, pois eles são canais da Graça de Deus para a salvação das almas. O zelo da Igreja não é um fardo pesado, mas um amoroso convite a vivermos em plena comunhão com Aquele que nos amou até o extremo da Cruz.
Neste caminho de fé, uma bússola inegociável é o Catecismo da Igreja Católica, que em seu número 1415 nos ensina com clareza e autoridade maternal:
 “Quem quer receber Cristo na comunhão eucarística deve estar em estado de graça. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar a Eucaristia sem ter recebido previamente a absolvição no sacramento da Penitência, ou seja, na Confissão.”
Esta norma é a expressão do amor de Deus, que deseja a nossa santidade. O “estado de graça” significa que a alma está unida a Deus pela Caridade, e o pecado mortal é justamente aquilo que rompe esse laço vital. Aproximar-se da Eucaristia em estado de pecado mortal não é apenas uma desatenção, mas uma profanação do Corpo e Sangue de Cristo, pois é tratar o tesouro mais santo com a frieza de um coração que escolheu deliberadamente afastar-se do seu Senhor.
É aqui que a voz do Apóstolo São Paulo ressoa com a força do Espírito, exortando os cristãos de Corinto e a nós, em 1ª Coríntios 11, 27-31:
 

“Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor... Pois quem come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação.”


O discernimento, neste contexto, é o reconhecimento de que a Hóstia Consagrada é, de fato, o Corpo de Cristo, e que a nossa condição espiritual deve ser compatível com a santidade Daquele que recebemos.


 O Firme Propósito e a Misericórdia Divina
A Misericórdia de Deus é infinita e insondável, maior que o nosso maior pecado. É o nosso refúgio e a nossa esperança. Jesus veio para os doentes, para os pecadores, para nos erguer da lama.
A Igreja, no seu ensinamento, reconhece um poderoso ato de fé na misericórdia: a Contrição Perfeita, ou "Contrição do Coração". O Catecismo (n. 1452) explica que a contrição (o arrependimento pelo pecado cometido) "é dita perfeita (contrição de caridade), se for motivada pelo amor de Deus, que é amado sobre todas as coisas."
A contrição perfeita, por si só, alcança o perdão dos pecados mortais, se incluir o firme propósito de recorrer à Confissão Sacramental o mais breve possível. No entanto, o Código de Direito Canônico exige que o fiel que tiver consciência de pecado mortal receba o sacramento da Penitência antes de se aproximar da Comunhão, exceto havendo uma grave razão e se não houver oportunidade de confissão (Cân. 916), devendo o fiel fazer um ato de contrição perfeita com o propósito de se confessar o quanto antes.
Aqui reside o ponto crucial da reflexão:
 1. A Regra Universal: Para o perdão dos pecados mortais e para comungar dignamente, o caminho ordinário e certo é o Sacramento da Confissão.
 2. A Exceção de Extrema Necessidade: A possibilidade de se aproximar da Eucaristia com o firme propósito de se confessar (baseado na contrição perfeita) é reservada a casos de grave necessidade ou impossibilidade de confissão, para que a alma não seja privada do Viático (alimento para a jornada) ou para evitar um escândalo público, e nunca como norma geral.
O perigo reside em transformar uma exceção extrema, motivada pela impossibilidade e pela urgência da caridade, em uma regra de conveniência que diminui a importância do Sacramento da Penitência e enfraquece a consciência do pecado.


O Zelo dos Santos pela Eucaristia
Os Santos, doutores da Igreja e místicos, que viveram na intimidade da Eucaristia, nos alertam sobre a seriedade do Corpo de Cristo:
 • Santo Antônio Maria Claret afirmava que "não há praticamente nenhum crime que mais ofenda a Deus do que a comunhão sacrílega."
 • Santo Agostinho nos recorda a profundidade do crime: “O comungante, em pecado mortal, comete um crime maior que o de Herodes.”
 • São Pedro Julião lamentava: "Jesus é muito ofendido na Eucaristia pelos múltiplos sacrilégios, cujo número e malícia causam admiração aos próprios demônios."
Estas palavras não são para nos amedrontar, mas para nos despertar para a imensa dignidade do Mistério que celebramos. O zelo deles é um eco da voz do próprio Cristo, que deseja o nosso coração limpo.


Um Apelo ao Amor e à Responsabilidade
A juventude de hoje é chamada a ser protagonista da fé, a “sentinela da manhã” da Igreja. O seu amor pela Eucaristia deve ser puro, ardente e consciente.
A verdadeira Misericórdia não anula a Verdade. Pelo contrário, a Misericórdia de Deus, que se manifesta plenamente na Confissão, nos dá a Graça de sermos perdoados para que possamos nos unir a Ele em Santidade. Que a ânsia de receber Jesus na Comunhão nos leve a correr para o Confessionário e, ali, lavar a nossa veste, preparando o banquete para o Rei que deseja habitar em nós.
É responsabilidade de todos os pastores e de cada fiel zelar pela correta recepção da Eucaristia, ensinando com clareza e caridade que a Confissão é o dom do perdão que nos permite participar do Corpo de Cristo com a dignidade que Lhe é devida.


Que a nossa devoção à Sagrada Eucaristia seja sempre acompanhada de um sincero exame de consciência e da humildade de reconhecer a nossa fraqueza e a necessidade do perdão sacramental.

Viva a Sagrada Eucaristia! Que Deus nos abençoe. Salve Maria!