A Esperança que Vence a Morte na Comemoração dos Fiéis Defuntos: Dia 02 de novembro dia de Finados
Por Douglas Lima
A cada ano, quando o dia 2 de novembro se aproxima, a Santa Igreja Católica nos convida a um profundo e piedoso recolhimento na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, o nosso querido Dia de Finados. Não é, como muitos pensam, um dia de tristeza vazia ou desespero, mas sim uma celebração da esperança que brota da Cruz e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. É um ato de caridade sublime para com aqueles que nos precederam na Casa do Pai.
O Significado Mais Profundo
Esta comemoração é um poderoso lembrete da nossa fé na Comunhão dos Santos, essa maravilhosa união que transcende a barreira visível da morte. Ela nos diz que a Igreja é uma só família, formada pelos fiéis que peregrinam na Terra (Igreja Militante), pelos que já alcançaram a glória do Céu (Igreja Triunfante), e por aqueles que, tendo partido desta vida na graça de Deus, ainda necessitam de purificação para contemplar o Rosto d’Ele (Igreja Padecente – as almas do Purgatório).
Neste dia, nossa atitude fundamental é a oração de sufrágio. Não basta apenas levar flores aos túmulos ou chorar a ausência. O amor mais verdadeiro que podemos oferecer aos nossos entes queridos falecidos é a intercessão fervorosa. Como ensina a Tradição, “Santo e salutar é o pensamento de orar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” (2 Macabeus 12, 46).
A Luz da Ressurreição
Para o cristão, a morte não é um ponto final sombrio, mas sim uma passagem, uma porta para a Vida Eterna. Jesus, nosso Redentor, nos deu a certeza: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11, 25). É esta Palavra que ilumina a dor da saudade e transforma o nosso luto em esperança inabalável.
Quando rezamos, pedindo o “eterno descanso” e a “luz perpétua” para os nossos fiéis defuntos, estamos exercendo o mais puro amor fraterno. Oferecemos a Santa Missa, a Eucaristia, o sacrifício de Cristo que tem o poder de purificar e introduzir a alma na alegria plena do Céu. A nossa oração é o "empurrão" de caridade que pode apressar o encontro de uma alma com Deus.
Uma Reflexão para a Nossa Vida
O Dia de Finados é, também, um espelho para a nossa própria existência. Ao visitarmos o cemitério, somos convidados a refletir sobre a fragilidade do tempo presente e a urgência da santidade. O caminho que os nossos amados percorreram é o mesmo que um dia percorreremos.
Diante da inevitabilidade da morte, somos chamados à prudência cristã e a viver bem o nosso hoje, plantando boas obras, perdoando de coração e crescendo na amizade com Deus. Não percamos tempo com o que é passageiro, mas preparemos a nossa morada eterna, pois o que levaremos de fato é o amor que demos e recebemos.
Que a Virgem Maria, Mãe das Dores, console os nossos corações e nos ajude a rezar pelos nossos irmãos falecidos. Que, unidos na fé, possamos todos reencontrar-nos um dia na alegria indizível da Casa do Pai, onde a saudade dará lugar à eterna e feliz comunhão. Amém.
Indulgência Plenária
Uma indulgência plenária, aplicável somente às almas do purgatório, é concedida ao fiel que:
1) entre os dias 1º e 8 de novembro visita devotamente um cemitério e reza pelos defuntos, ainda que só mentalmente;
2) no dia 2 de novembro visita piedosamente uma Igreja ou um Oratório (isto é, qualquer Igreja) e recita um Pai-Nosso e um Credo.
É preciso cumprir as outras condições para ganhar indulgência plenária: desapego de todo pecado, mesmo venial, confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Sumo Pontífice (essa oração pode ser um Pater e uma Ave Maria ou outra).
Lembrete: com uma só confissão sacramental pode-se lucrar várias indulgências plenárias, mas cada indulgência plenária requer uma comunhão e uma oração pelo Santo Padre. A indulgência plenária nesses dias deve ser aplicada a uma alma do purgatório determinada, ainda que seja dizendo “aquela que mais precisa de vossa misericórdia”.
São duas indulgências distintas. A do número 2 vale apenas para o dia de finados, 02/11.
A do número 1 vale para todos os dias entre 1º e 8/11. Em cada dia se pode lucrar uma indulgência plenária. Para lucrar a indulgência em um desses dias ou em todos (previstos no n. 1) tem que visitar o cemitério no dia, rezar pelos fiéis defuntos, rezar também nas intenções do papa, comungar e estar desapegado mesmo dos pecados veniais. Mas não é necessário confessar em cada um desses dias. Basta confessar em um dia próximo.