sábado, 25 de outubro de 2025

A Fonte Inesgotável da Esperança: O Cristo Ressuscitado no Mundo de Hoje Catequeses do Ano jubilar do Papa Leão XIV

 

Por: Douglas Lima


Em um mundo onde a busca incessante por satisfação e sucesso muitas vezes nos deixa com um vazio no coração, a mensagem do Papa Leão XIV na sua catequese para o Jubileu 2025, desta quarta-feira dia 15 de outubro – "Jesus Cristo, Nossa Esperança" – ressoa como uma brisa fresca, lembrando-nos da única fonte capaz de saciar a nossa sede mais profunda. Ao refletir sobre a Ressurreição de Cristo, o Santo Padre aponta o Ressuscitado como a "fonte viva da esperança humana", um convite à redescoberta do sentido pleno da nossa existência.


A vida, como bem descreve o Papa, é uma tapeçaria complexa, tecida com fios de alegria e tristeza, de realização e de inquietação. Corremos, concentramo-nos em metas, alcançamos picos de prestígio, mas, paradoxalmente, a felicidade contínua e sem sombra teima em escapar. Sentimos o nosso limite, ao mesmo tempo que um impulso irresistível nos move a superá-lo. É o sinal de que, no íntimo, algo essencial nos falta.


Leão XIV, com uma simplicidade tocante, esclarece: não fomos feitos para a falta, mas para a "plenitude", para a "vida em abundância" prometida por Jesus (cf. Jo 10, 10). Este anseio profundo, esta sede de algo mais, não se aplaca com "papéis, nem no poder, nem no ter". Estes são, muitas vezes, otimismos que se desfazem, frustrando as nossas expectativas. A resposta verdadeira, a garantia de que a nossa espera não será vã, reside na esperança que se concretiza em Jesus Ressuscitado.


A Ressurreição de Cristo não é apenas um facto histórico distante; é, como sublinha o Papa, "o evento que a transformou [a história humana] a partir de dentro". Ele é a garantia da nossa meta final.


Para tornar esta verdade acessível, o Santo Padre recorre à imagem da fonte de água. Uma fonte sacia, refresca, irriga a terra árida, oferece um oásis ao viandante cansado. Sem água, não há vida. Da mesma forma, o Cristo Ressuscitado é essa fonte viva, sempre pura e inesgotável. Ele não se torna árido, nem muda. Quanto mais nos aproximamos e "saboreamos o mistério de Deus", mais nos sentimos atraídos por Ele, numa sede santa, nunca totalmente saciada, mas sempre renovada, como expressou Santo Agostinho: "Infundiste a tua fragrância; e respirei e anseio por ti; saboreei, e tenho fome e sede; tocaste-me, e ardi de desejo da tua paz".
Esta fonte de vida permanente, que é Jesus, o Vivente, o Vencedor sobre a morte (cf. Ap 1, 18), responde às grandes interrogações do nosso coração: Onde está o ponto de chegada da nossa existência? Qual é o sentido da vida? Como pode ser redimido o sofrimento dos inocentes?


O Ressuscitado não oferece uma resposta fria, "descida do alto". Ele faz-Se nosso companheiro de viagem, especialmente nas estradas mais cansativas, dolorosas e misteriosas. Só Ele, com o Seu amor, pode encher o "cantil vazio" da nossa alma.


Reconhecemos a nossa fragilidade; o erro faz parte da nossa humanidade. Mas "Ressuscitar, pelo contrário, significa levantar-se e pôr-se de pé." A esperança que brota do Cristo Ressuscitado é a certeza de que a viagem da vida não é um "perambular sem meta", mas um caminho que conduz a casa, "onde somos esperados, amados, salvos".


Caminhar com Ele, assegura-nos o Papa, é experimentar um sustento que nos revigora, mesmo perante as provações e fadigas que nos ameaçam.
Em resumo, a catequese de Leão XIV é um convite profundo a fixar o olhar no essencial. No turbilhão de ambições e desilusões do presente, a Ressurreição de Jesus Cristo é o eixo que sustenta todo o nosso ser. É Dela que emana a única esperança capaz de nos fazer saborear, apesar de todo o cansaço, uma "profunda e alegre quietude": a paz que só o Ressuscitado nos pode conceder, "no fim, sem fim". A Páscoa de Cristo é, portanto, para todos, a possibilidade concreta de um novo recomeço. É hora de nos levantarmos, respondendo generosamente à Sua chamada, e vivermos o Jubileu com a certeza de que a nossa sede de plenitude já encontrou a sua Fonte.


Leia a Catequese na integra